Problemas funcionais e estéticos no crânio devem ser identificados nos primeiros meses de vida.

Neurocirurgião pediatra destaca o tratamento e as cirurgias menos traumáticas aos bebês
Problemas funcionais e estéticos no crânio devem ser identificados nos primeiros meses de vida.
Popularmente conhecidas como moleiras, as fontanelas são uma das preocupações mais recorrentes dos pais logo após o nascimento de seus filhos. Tratam-se das aberturas existentes entre os ossos do crânio, separadas por linhas chamadas de suturas.

Elas têm a função de facilitar a passagem do bebê durante o parto e permitem, junto com as suturas, o desenvolvimento adequado do cérebro. Na medida em que a criança cresce, as moleiras são fechadas naturalmente. A fontanela anterior é maior e a que mais demora a fechar. Mede cerca de dois dedos de largura e seu fechamento ocorre em torno do 9º ao 15º mês de vida. A fontanela posterior, menor, costuma estar fechada até o 2º mês de vida.

Porém, em alguns casos, as fontanelas acabam se fechando precocemente. De acordo com o neurocirurgião pediatra José Aloysio Costa Val, durante o primeiro ano de vida, o cérebro da criança chega a dobrar de tamanho. “Quando as suturas se fecham precocemente, configura-se o que chamamos de cranioestenose, levando à restrição do crescimento do crânio e causando problemas funcionais e estéticos”, explica.

Ele salienta que, com o fechamento das suturas, a forma do crânio pode ser modificada, levando a problemas estéticos e até neurológicos, caso o cérebro passe a ser comprimido pelas estruturas ósseas. O especialista enumera os principais tipos de cranioestenose e suturas: escafocefalia (sagital), trigonocefalia (metópica) e plagiocefalia (coronal ou lambdoide).

Diagnóstico precoce
José Aloysio ressalta que, na maioria das vezes, a condição é causada por uma mutação que ocorre na geração da criança, não havendo caráter familiar. “Existem também formas genéticas, mais complexas e associadas a outras malformações. Nestas, os tipos mais comuns são as Síndromes de Crouzon e Appert”, acrescenta.

Nesse sentido, orienta que os pais devem estar atentos a quaisquer alterações na face ou crânio da criança, realizando todos os exames de rotina junto a um pediatra. Ainda segundo ele, pela tomografia computadorizada 3D de crânio é possível realizar a avaliação das suturas cranianas e a programação cirúrgica mais adequada para cada tipo de craniossinostose.

Cirurgias menos traumáticas
O neurocirurgião alega que, identificado o problema, boa parte dos casos necessita de tratamento, sendo a maioria por meio de intervenção cirúrgica ainda no  primeiro ano de vida. O momento para a realização da cirurgia irá depender do tipo de cranioestenose e do crescimento do cérebro do bebê.

Em casos de escafocefalias, por exemplo, a cirurgia é indicada quando a criança alcança 3 kg, independente da idade. Para os demais casos, é preferível que o bebê tenha três meses de vida e 5 kg. De forma geral, quanto antes for realizada a cirurgia, melhor o prognóstico, aproveitando assim o desenvolvimento cerebral que ocorre no primeiro ano de vida. “Realizando o procedimento precocemente evitamos problemas estéticos, más formações na face e no crânio, além de problemas neurológicos decorrentes da compressão do cérebro pelo crânio”, explica.

Ele salienta que, atualmente, existem métodos e equipamentos que trazem maior segurança e menor tempo de recuperação à criança. “A medicina possui uma gama de equipamentos modernos que permitem operar o paciente de forma menos traumática, mais eficiente e com menor perda de sangue”, elucida o especialista destacando os cranióstomos, além de aparelhos herdados da cirurgia odontológica, que permite abrir o osso sem lesar as estruturas moles que estão abaixo, essencial na neurocirurgia.

O passo seguinte, segundo José Aloysio, é a reconstrução do crânio, utilizando materiais que ajudem na sua fixação. Porém, como tratam-se de bebês, são usadas placas e parafusos de polímero que, por sua vez, são absorvidas pelo corpo da criança e eliminadas na forma de água pela urina, suor e vapor d’água na respiração. “Assim, um ou dois anos após a cirurgia, não há resquício do material no corpo da criança”, diz.

Sobre a Fonte
José Aloysio Costa Val Filho é neurocirurgião com especializações em neurocirurgia infantil pelo Hospital de La Timone (Marselha, França) e Neurocirurgia Pediátrica  pelo Hôpital des Enfants Maledes (Paris, França), onde instruiu-se  a técnica da Neuroendoscopia.
Desde 1991 atua no Serviço de Neurocirurgia do Hospital Biocor, sendo Coordenador da Neurocirurgia Infantil e preceptor da Residência de Neurocirurgia. Atua também como Neurocirurgião Pediátrico no Hospital Vila da Serra. É ex-presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia  Pediátrica e atual vice-presidente da sociedade Mineira de neurocirurgia. Também é mestre em Cirurgia pela UFMG.

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1 comentários:

  1. Muito bom o seu post, tenho certeza que ajudará muitas mães!
    Beijo
    www.leticiatomsik.com

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